Equipamento

A importância do bike fit

Dor no joelho, na lombar ou no pescoço raramente é falta de preparo. Quase sempre é a bike mal ajustada pro seu corpo.

Por Jean Patrick · Amparo Ride

Muita gente pedala com dor achando que é normal, ou que é falta de condicionamento. Na maioria das vezes o problema é simples: a bike não está ajustada pro seu corpo.

O que é bike fit

É a técnica de adequar a bicicleta à estrutura física de quem pedala. Na prática, a bike passa a parecer feita sob medida pra você: altura de selim, recuo, guidão, tudo no lugar certo.

O que você ganha

Mais conforto e performance, mais segurança e bem menos risco de lesão. Em quem está começando, evita vício de pedalada que depois custa caro pra corrigir. E resolve dor crônica que nenhum alongamento resolvia.

Como funciona, passo a passo

O fit se divide em cinco etapas. A primeira é a anamnese, uma entrevista: frequência de treino, desconfortos, média de quilometragem, objetivo. Se você tem alguma lesão crônica ou aguda, leve os exames, porque isso pesa na hora de ajustar.

A segunda é a avaliação física: avaliação postural, testes clínicos conforme o que apareceu na anamnese, teste de encurtamento de membros, mobilidade e flexibilidade.

A terceira é a antropometria, a medida de cada segmento do corpo (cavalo, tronco, ombros, distância entre as tuberosidades isquiáticas, membros superiores, estatura e peso). É daí que saem as medidas ideais de quadro e componentes pra você.

A quarta é o ajuste da sapatilha: altura do taco acertada pro seu pé e depois a angulação, com o gabarito específico do tipo de taco.

A quinta são os ajustes na bike. Ela vai pro rolo de treino, você recebe sensores reflexivos em pontos anatômicos e o profissional analisa por câmera, traça a angulação de cada segmento e corrige o posicionamento.

As dores que o fit costuma resolver

As lesões mais frequentes em ciclista são na coluna lombar, nos joelhos, na coluna cervical e no períneo.

A lombar sofre de muito tempo com a coluna curvada sob o guidão, o que gera pressão intradiscal e sobrecarga na musculatura. Dor no joelho costuma vir de sapatilha desajustada, posicionamento errado do tênis ou recuo do selim. A cervical, de mau posicionamento seu e dos componentes. E a dor perineal, de selim mal posicionado ou de um selim que não é o certo pro seu corpo.

Quem faz e o que esperar

O ajuste pede conhecimento de anatomia, biomecânica e testes clínicos, então procure fisioterapeuta ou educador físico com equipamento adequado.

Vale pra MTB e pra estrada, pra profissional e pra amador, e não é coisa só de competidor: se você pretende rodar com frequência, é um dos melhores investimentos que dá pra fazer, independente do valor da bike.

Um detalhe que economiza dinheiro: se você ainda não tem bike, faça o fit antes de comprar. A antropometria já diz o tamanho certo de quadro e componentes.

Depois do fit

Dor muscular leve nos primeiros pedais é normal, é o corpo se readaptando à nova postura. Dor forte, ou a volta do desconforto que você relatou na anamnese, é caso de procurar o profissional de novo.

O ajuste vale pra aquela bike: cada quadro tem geometria própria, então trocar de bike pede repetir o processo. De MTB pra estrada então é impossível aproveitar, porque a posição e as forças são outras.

E tem o que o fit não resolve: vício de técnica. Pedalar de joelho fechado, jogar peso no punho (é isso que dorme a mão), quadril girando no selim. Não existe ajuste que corrija isso, e o remodelamento muscular leva meses.